Como todo ser humano com um mínimo de sensibilidade,
sinto-me desolada com a quantidade de tragédias
que vêm se atropelando, no Brasil e no mundo.
Furacões, tsunâmis, enchentes, terremotos,
destruição de zonas litorâneas por invasão do mar...
e os números decorrentes dessas catástrofes.
Quantas vidas, quantas famílias destroçadas pela dor
da perda de entes queridos
e por se verem, de um momento para outro,
reduzidas à indigência mais cruel.
Mas, de tudo o que tem acontecido ultimamente,
o que me deixa apavorada é a tragédia moral
que se abateu sobre o morro do Bumba, em Niterói.
Sim, tragédia moral, porque não foi causada
por fenômenos naturais.
A chuva foi só o estopim que fez disparar
o engenho criminosamente preparado há anos.
Ouvi, estarrecida, nomes bem conhecidos,
dos prefeitos, secretários de obras, "urbanistas"
e outros reus desse crime hediondo:
Camuflar um lixão, cobrindo-o irresponsavelmente
de terra, sem qualquer providência - a mais elementar -
e sobre esse espaço contaminado e explosivo,
planejar, requerer aprovação, aprovar, realizar
uma "urbanização"
e vender lotes ou casas já construídas, sabendo que
as famílias estariam adquirindo ali seus túmulos!
Tais pessoas conseguem dormir? Como deve ser enorme
o peso do dinheiro adquirido a preço de sangue!
Esse não será um típico homicídio doloso?
E, se pode haver coisa mais triste, eu diria que
o mais triste é saber que, com certeza, essas
autoridades continuarão a ambicionar o poder,
e, dentro de pouco tempo,
o povo de Niterói terá esquecido os nomes deles...
que voltarão a pedir e receber votos,
com a promessa de promover o bem da população!
Chora, Bumba! Chora Niterói! Chora Brasil!
Mas, não percamos a memória!
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